A erupção vulcânica de La Soufriere passou de alerta vermelho para laranja

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Em 22 de abril, o La Soufriere havia explodido 32 vezes, deixando pesadas camadas de cinzas por toda parte, fazendo com que os edifícios desabassem e enviando fluxos piroclásticos pelas laterais do vulcão, destruindo tudo em seu rastro.

Em 15 de abril, o Centro de Pesquisas Sísmicas das Índias Ocidentais conseguiu medir o fluxo de dióxido de enxofre (SO2) de La Soufriere, dispersando-se com a corrente de jato pela África, Península Arábica e Ásia.

No dia 5 de maio, o governo de São Vicente e Granadinas, após orientação do Centro de Pesquisas Sísmicas das Índias Ocidentais, decidiu reduzir o alerta de perigo vermelho para laranja. Essa decisão foi tomada após discussões e consultas sobre técnicas de monitoramento, dados e o estado atual do vulcão. Para verificar a situação, os cientistas terão que dar uma olhada na cratera, usando um helicóptero, em condições controladas.

O professor Richard Robertson explicou que: “Em São Vicente, os níveis de alerta são o mecanismo pelo qual podemos responder como cientistas, o que também indica às autoridades e ao público o que achamos que está acontecendo com o vulcão.
E é preciso haver um mecanismo em que eles subam e desçam, se necessário, caso contrário, pode ser difícil responder às mudanças quando necessário”.

Ele observou: “… em vermelho, dizemos que está em erupção, que está em erupção explosiva, que está fazendo uma série de coisas desagradáveis. Quando ela para de fazer isso, temos que decidir quais são as chances de ela permanecer nesse estado.”

Os moradores das comunidades da zona laranja podem voltar para casa, mas o acesso à zona vermelha continua restrito devido à perigosa ameaça de lahars.

Como essa ameaça pode continuar por algum tempo, os cientistas aconselharam a adoção de certas medidas para proteger vidas, meios de subsistência e propriedades das pessoas que ocupam a zona vermelha. Essas ameaças perigosas têm sido registradas continuamente nos flancos do vulcão à medida que a chuva cai, e não se espera que as ocorrências desses lahars terminem nesta estação chuvosa.

Proteção contra Lahars ou Fluxos de Lama
“A melhor proteção é ficar fora dos vales, não colocar nenhum tipo de ativo importante neles, devido ao fato de que, no caso de São Vicente, isso acontecerá tão rápido que será difícil fornecer um aviso”, Professor Richard Robertson

Os fluxos, que podem ser quentes a partir de depósitos quentes deixados no vulcão, são particularmente perigosos pelo fato de conterem cinzas e detritos, como pedras e árvores. Nesta semana, os cientistas observaram rochas de até 5 m de diâmetro descendo dos lahars em Wallibou. (Um pedregulho é um fragmento de rocha com tamanho superior a 256 milímetros de diâmetro).

Robertson disse que “o seu aviso seria essencialmente que você está ouvindo ou vendo o material vindo em sua direção, o que significa que você realmente, se houver qualquer indicação de que algo está descendo aquele vale, você simplesmente tem que sair daquele vale e, em segundo lugar, você tem que se certificar de que não tem nada lá dentro, como uma casa, por exemplo, ou terras agrícolas, o que fará com que você tenha que ir lá regularmente e ficar lá e não se concentrar no fato de que você pode ser derrubado por um lahar”.

O cientista disse que é importante que as agências governamentais e os responsáveis pelo planejamento sejam enérgicos em suas orientações às pessoas que podem se colocar em perigo ao tentar construir nos vales abaixo do vulcão. Ele acrescentou que deve haver uma estratégia proativa em que ativos e materiais pré-posicionados estejam disponíveis para facilitar o processo de remoção.

Outra sugestão foi a implementação de um programa “lahar-ready” para ajudar as pessoas das comunidades a entender melhor o perigo, de modo que estejam preparadas para o caso de ocorrerem lahars após chuvas fortes.

Else Marie Pedersen, São Vicente e Granadinas